Empresas




No mundo empresarial, uma das perguntas feitas pelo empresário ou futuro empresário é a seguinte: o que é preciso para que minha empresa dure? Não me refiro a empresas cujos donos enriquecem, nem às que se dão bem por uma ou duas gerações – falo das que se mantêm relevantes ao longo do tempo, apesar de crises, mudanças na legislação, na demografia, no perfil dos consumidores, novas tecnologias, concorrentes novos, entre outros fatores externos. Conforme dados, hoje, no Brasil, existem mais 14 milhões de empresas. Entre elas, apenas 190, ou pouco mais de 0,01%, chegaram aos 100 anos de atividade. Crises, revoluções, mudanças na Constituição e trocas de moedas colidiram com esse grupo bem minoritário de companhias. Mesmo assim, e se elas resistiram, é porque foram movidas pela arte do aprender. A mortalidade empresarial no mercado é espantosa. Estudos mostram que a cada 10 empresas abertas, 3 fecham no primeiro ano e somente 4 sobrevivem após 5 anos. As empresas que se revelaram duradouras até hoje não foram, na verdade, “feitas” para durar. Elas foram “selecionadas” pela ação da seleção natural. Tinham os atributos necessários e, por isso, duraram! Esses atributos são bom atendimento, produtos e serviços de qualidade, localização e instalações adequadas e credibilidade no mercado, tudo isso aliado a uma boa gestão empresarial com o passar das gerações. Sua engenharia aconteceu sem projeto. Mas, daqui a diante, só irão durar as que tiverem projeto para durar. A culpa é da globalização cujo efeito mais espetacular é acelerar trocas de ideias, processos, tecnologia. Pelo que aprendemos, isso significa inovação e competição exponenciais. Só tem chance de durar (sobrar; ser selecionada) a empresa que for desenhada para
responder à essa super-exposição, e é aí que as jovens empresas têm as maiores oportunidades.
Quem quiser durar terá de planejar o processo de mudanças, não pode mais deixá-lo ao acaso. Não se trata de planejar “o fazer”, mas planejar o “aprender enquanto faz”, mudando de rota no timing adequado para continuar vivo. Não é um processo novo – só seu ritmo hiperacelerado é novo.
Na natureza, assim como no mundo das empresas, muitíssimo mais espécies desapareceram do que permaneceram. Há mais maneiras de morrer do que de viver. A dinâmica que explica a perenidade de ambas é exatamente a mesma: capacidade de aprender.
Num nível bem fundamental, evolução, adaptação e aprendizado são a mesma coisa. Aprender é modificar a forma como você se comporta no mercado para tornar-se mais eficiente na arte de permanecer nele, esta é a grande sacada.
Carisma é importante mas não é necessário. Liderança sim é fundamental. A empresa tem de ser projetada para aprender e o líder tem papel fundamental.

Sendo assim empresário, mãos à obra, pois o mercado é feroz e muitas ficaram pelo caminho. Vamos desenvolver a capacidade de aprender e não ficar parados no tempo vendo nossos concorrentes inovando e deixando nos para trás

Rodrigo Martins