Todo ano é a mesma coisa, adeus ano velho, feliz ano novo. Compramos roupas novas. Lembro-me que sempre passava com uma camisa de São jorge. Resultado: Tenho umas 12 camisas de São Jorge, umas bem parecidas com as outras. Traçamos metas novas, mas não entregamos as antigas. Resultado? Um monte de coisa inacabada. Não sei com vocês, mas coisa inacabada para mim me dá ansiedade. Aí eu não terminei um monte de coisa e pego mais um monte para fazer. Me abdico um pouco mais do meu tempo de lazer. Até ficar frustrado, chutar tudo para o alto e recomeçar no meio do ano. Uma espécie de ano novo fora de época. Sempre me perguntei, se tem carnaval fora de época, por que não podemos ter natal, páscoa, fora de época. sei lá.

Livros? Já tive o tempo que tinha que mudar o caminho para não passar na frente de uma livraria. Se não comprava um monte de livros. Mas só comprava mesmo, não lia. Uma espécie de telespectador que só comprava o bilhete do cinema, mas não esperava a sessão começar. O prazer era só comprar o livro. Tipo uma coleção, só para dizer: “eu tenho esse livro”. E claro, se comprar e não lia, ficava com um monte de tarefas paradas relacionados a leitura.

Cursos então, agora somos bombardeados por todos os lados para comprar cursos. Alguns cursos bem ruins. Porém o meu problema mesmo são com os cursos bons. E tem um monte de curso bom. Online, de imersão, à noite, de final de semana, no exterior… Cara tem muita coisa boa, e olha que só estou pensando nos que vale a pena, nessa época já sabia diferenciar coisa boa de lixo que só quer ganhar dinheiro apostando na nossa curiosidade. Acontece que eu não fazia o curso por completo, ou quando fazia empurrava com a barriga, ou quando não empurrava não praticava. Não por desinteresse, mas “por falta de tempo” ou por “ter muita coisa para fazer”

Daí já pode esquecer saúde né? Com esse monte de coisa, como vou me exercitar? Vamos jogar um outro joguinho de acumular, agora gordura, Stress, Nervosismo. Era o que tinha para ocasião.

Mas tudo eu acumulava? Não, algumas coisas eu deixava faltar. Coisas como: Tempo para mim, tempo para minha família, cuidados com minha saúde, organização das minhas coisas e por aí vai.

Só consegui resolver, resolver não pois acho que nunca resolvemos, mas mitigar quando parei de receber, de pedir, de acumular.

Roupa de fim de ano? Tem alguma boa aí para usar? ;

Esse livro é bom?  Mas ainda não terminei de ler o atual, então esse pode esperar;

Cursos? Faço o meu planejamento anual e pronto, o que não entrou esse ano entra ano que vem.

Foi assim, que diminui as coisas em minha casa, diminui a comida que comia (e olha que eu amo comer), diminui o álcool, diminui os compromissos, diminui a ansiedade. Diminui tanta coisa que me sobrou espaço para brincar com um cãozinho que nunca pensei em ter, comecei a meditar, fazer exercícios, passear, ler (de verdade). Ficar com minha esposa. E o melhor de tudo, mesmo incluindo tudo isso ainda me sobra mais tempo, parece que agora ele é infinito.

Resumindo, foi recebendo menos que eu fiquei mais completo. e é isso que continuo desejando a você. Muito menos nesse novo ano. Até porque menos é mais.

 

Rafael Barrêto.